O que fazer em caso de incêndio?

Recentemente um grande incêndio em uma boate de Santa Maria (RS) deixou 235 mortos e dezenas de feridos, o segundo maior incêndio registrado no Brasil em relação ao número de mortos. Grandes incêndios podem acontecer em diversos  lugares, como circos, boates, edifícios e fábricas, portanto é importante ter uma base de como agir em situações assim.

A especialidade de Alerta vermelho aborda alguns pontos importantes relativos ao que fazer em caso incêndios, além de outras emergências.

Um dos pontos mais importantes em caso de emergência é saber os telefones que devem ser acionados em cada tipo. No Brasil os três telefones mais importantes, que todos devem conhecer, são:

  • Polícia Militar – 190
  • SAMU – 192
  • Corpo de Bombeiros – 193

Em caso de incêndio, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado imediatamente. Tão importante quanto saber os números de emergência é saber o que deve ser falado ao telefone, para facilitar a chegada ao local, a preparação e o socorro. Portanto, quando acionar serviços de emergência, o atendente fará algumas perguntas:

  1. Nome e número do telefone utilizado;
  2. Endereço do local, informando ponto(s) de referência;
  3. Natureza da emergência;
  4. Número de vítimas, condição das vítimas e providências tomadas.

Existem algumas ações que podem/devem ser tomadas a fim de se proteger e proteger os outros que estão por perto, evitando ferimentos e mortes:

  • Ao perceber indícios de incêndio (fumaça, cheiro de queimado, estalidos, etc.), aproxime-se a uma distância segura para ver o que está queimando e principalmente a extensão do fogo;
  • Dê o alarme, através de algum meio disponível, aos responsáveis pela administração do prédio, a seguranças e/ou telefone para o Corpo de Bombeiros através do telefone 193;
  • Caso não saiba combater o fogo ou não consiga dominá-lo, saia imediatamente do local, fechando todas as portas e janelas atrás de si, sem trancá-las, desligando a eletricidade e alertando os demais ocupantes do andar;
  • Mantenha a calma e ajude a acalmar os outros;
  • Não perca tempo tentando salvar objetos, sua vida é muito mais importante;
  • Mantenha-se vestido, pois a roupa protege o corpo contra o calor e a desidratação;
  • Procure descer até a saída no térreo, só suba se for impossível descer, pois o fogo tende a se propagar para cima;
  • Evite abrir qualquer porta que esteja saindo fumaça pelas frestas e/ou a maçaneta encontre-se superaquecida;
  • Ao ser surpreendido pela fumaça, procure uma saída mantendo-se abaixado sob a fumaça com um lenço sobre as vias respiratórias. Como a fumaça é mais leve que o ar, existirá mais oxigênio próximo ao chão, especialmente nos cantos;
  • Procure evitar a propagação do incêndio evitando abrir janelas desnecessariamente, janelas abertas aumentam a quantidade de oxigênio disponível para o incêndio;
  • Em um incêndio em um edifício nunca pegue os elevadores, desça pela escada – sempre pelo lado direito. A energia é normalmente cortada e o elevador poderá ficar parado, sem contar que existe o risco que ele abra justamente no andar em chamas;
  • Se localizar alguém em meio à fumaça, arraste-o para um local ventilado. Caso a pessoa tenha parada respiratória ou parada cardiorrespiratória e você possua treinamento, realize a reanimação;
  • Quando conseguir sair, não retorne ao local. Ninguém deve entrar lá sem equipamento adequado;
  • Estou preso no incêndio, como devo proceder?
    • Se não puder sair mantenha-se próximo a uma janela, de preferência com vista para a rua. Sinalize sua posição até que seja percebido.
    • Feche a porta do cômodo onde estiver, sem trancá-la. Vede as frestas com um cobertor, tapete ou qualquer outro tecido, para não deixar entrar fumaça.
    • Em caso de fumaça, mantenha-se junto ao chão. O uso de pano molhado no rosto pode ajudar em algo, mas não é um jeito determinante de se salvar.
    • Atire pela janela o que puder queimar facilmente ( papéis, tapetes, cortinas,etc.), mas com cuidado para não machucar quem estiver na rua.

Os primeiros socorros que devem ser adotados em caso de queimaduras são:

  • Se a vítima estiver com fogo nas vestes, rolá-la no chão ou envolver um cobertor em seu corpo a partir do pescoço em direção aos pés;
  • Interromper a propagação de calor para tecidos mais profundos, resfriando a vítima com soro fisiológico ou água limpa à temperatura ambiente;
  • Retirar as vestes com delicadeza, sem arrancá-las, cortando-as com tesoura. Não arrancar o tecido se ele estiver aderido à queimadura, apenas resfriá-lo com soro fisiológico ou água limpa à temperatura ambiente, deixando-o no local;
  • Retirar das extremidades anéis, pulseiras, relógios ou jóias antes que o membro edemacie e a retirada fique impossibilitada e comprometa a circulação;
  • Avaliar as regiões do corpo acometidas, a profundidade da lesão (1º, 2º ou 3º grau) e sua extensão por meio da porcentagem da área corpórea atingida (regra dos nove);
  • Caso haja acometimento da face (queimadura de pele, cabelos ou pelos do nariz e das pálpebras ou fuligem na região orofaríngea) ou possibilidade de que a vítima tenha inalado fumaça ou gases, dar especial atenção às vias aéreas e respiração;
  • Cobrir os olhos da vítima com gaze umedecida em soro ou água limpa;
  • Proteger as áreas queimadas com compressa de hidrogel ou plástico de queimaduras estéril ou ainda com gaze umedecida e bandagens limpas;
  • Se a área afetada envolver mãos ou pés, separar os dedos com pequenos rolos de gaze umedecida em soro fisiológico antes de cobri-los ou utilizar a compressa de hidrogel para essa finalidade, porém não utilize de forma circular, e sim em escamas;
  • Prevenir a hipotermia, envolvendo a vítima com plástico estéril, prevenindo, assim, o estado de choque;
  • Em caso de queimadura por choque elétrico, observar atentamente a qualidade do pulso, pois nessas situações podem ocorrer arritmias cardíacas. Verificar os pontos de entrada e saída do choque elétrico;
  • Tratar as áreas queimadas conforme orientações para atendimento de vítimas de queimaduras.

Conhecer as rotas de escape também é um fator que influencia bastante sair do local com vida e sem ferimentos. Os meios de escape devem ser constituídos por rotas seguras que proporcionem às pessoas escapar em caso de incêndio, de qualquer ponto da edificação a um lugar seguro, fora da edificação, sem assistência exterior. (The Fire Service College, 1995).

Se o local onde você mora ou trabalha possuir sistemas de prevenção contra incêndio previstos nas normas federais e/ou estaduais/distrital, as chances de sair ileso do incêndio são grandes. Caso não possua, é importante planejar sua rota de fuga. Clique aqui para acessar a cartilha “Planejando a fuga em caso de incêndios”, elaborada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina, juntamente com o Poder Judiciário do Estado de Santa Catarina.

Fontes:

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