Jovem de valor: uma entrevista com Léo Ranzolin

IMG_0881Barretos, SP… [ASN] O pastor Léo Ranzolin dedicou 20 dos seus 80 anos de vida à liderança de jovens adventistas. Desde o segundo ano do curso de Teologia, quando foi designado para liderar uma Liga Volante, até a sua aposentadoria, ele se empenhou em salvar jovens do pecado e guia-los no serviço. Durante este período, presenciou o crescimento e consolidação do Clube de Desbravadores em várias partes do mundo, inclusive do Brasil, principalmente após 1975, ano em que o movimento completou 25 anos nos Estados Unidos. Na época, ele era o associado do então líder de jovens adventistas para o mundo, pastor John Hancock, responsável pela parte de desbravadores e acampamentos. Ranzolin ajudou a organizar diretamente o primeiro Campori Sul-Americano de Desbravadores, em 1983, na condição de líder mundial dos jovens, cargo a que fora designado três anos antes, se tornando o terceiro – sendo o primeiro brasileiro – a ocupar a posição. Um líder que aponta exatamente para a formação de líderes como o principal desafio dos desbravadores em território sul-americano.

Agência Sul-Americana de Notícias – Quando começou a sua história com os desbravadores?

Pastor Léo Ranzolin – Em 1956, quando voltei dos Estados Unidos, onde estudei, para o Brasil e fui eleito diretor de jovens da então Associação Paraná-Santa Catarina. Ali teve início meu interesse em trabalhar com a juventude, que se organizava na chamada Liga Volante. Naquele tempo não havia Clube de Desbravadores da forma como conhecemos hoje. Depois de um tempo, no Instituto Adventista de Ensino (IAE) fui presidente da Liga dos Jovens, naquela época conhecida como Missionários Voluntários (MV).

ASN – Quando teve início seu trabalho com os jovens no mundo?

LR – Mundialmente, minha história com os Desbravadores começa em 1970, quando fui eleito o primeiro brasileiro a trabalhar no departamento de Jovens da Igreja. O pastor John Hancock era o líder de jovens e me colocou para trabalhar como seu associado, com responsabilidade para desbravadores e acampamentos. Ali começou o período de 10 anos da minha vida em que eu trabalhei diretamente com os desbravadores e, em 1980, fui eleito diretor do departamento.

ASN – Olhando retrospectivamente, não ter sido um desbravador foi uma frustração?

LR – Eu não fui desbravador pois quando surgiu o clube no Brasil não tinha mais idade para ser. Mesmo se eu quisesse não daria para ser. Mas não foi uma frustração porque eu me envolvi muito com os jovens e desbravadores quando mais velho. Meus filhos, todos eles, foram e trabalharam com isso. Não tive o prazer de ter sido entre 10 e 15 anos. Minha fase foi diferente, mas foi muito gostoso também.

ASN – Qual foi o primeiro Campori que o senhor organizou?

LR – Antigamente nós não tínhamos a cultura de fazer grandes acampamentos. Tanto que o primeiro Campori Sul-Americano foi só em 1983, que foi o primeiro Campori em que eu estive diretamente envolvido na organização.

ASN – De seis mil participantes no primeiro Campori Sul-Americano, em 1983, para 35 mil agora. São mais de 180 mil desbravadores no território da Divisão Sul-Americana. O que falar desse crescimento? Ainda existem desafios?

LR – Quando eu cheguei nos Estados Unidos, fiquei desapontado, pois o movimento de desbravadores era forte somente ali. Só em 1975, quando celebramos o Jubileu de Prata, nós deslanchamos em outras partes do mundo, especialmente aqui no Brasil. O segredo para crescer foram os cursos de liderança que formaram líderes, pessoas que dedicam muitas vezes a vida inteira aos desbravadores. Fazer com que o desbravador se torne um líder: este é o grande desafio.

ASN – O senhor batalhou para que os desbravadores se desenvolvessem em outros lugares fora dos Estados Unidos, como aqui no Brasil. Hoje, é o Brasil que trabalha para desenvolver os desbravadores em outros países, como o exemplo do casal Marcos Eduardo e Ana Paula Lima, que irão ao Egito logo após o Campori. Como o senhor vê esse desenvolvimento?

LR – Uma coisa interessante é que em 1969, o primeiro estudante missionário no Brasil ajudou a desenvolver o clube de desbravadores. Hoje ele está há 37 anos como líder de desbravador. Essa é uma vantagem do movimento, que não há perda de líderes.

ASN – O senhor dedicou 20 anos de sua vida aos jovens. Por quê? Como explicar essa paixão?

LR – Tudo começou quando eu era estudante. Fui líder do MV desde o segundo ano do curso de Teologia, em uma época em que só quem estava no quarto ano era colocado para liderar. Aquilo desenvolveu meu gosto em trabalhar com os jovens. Trabalhei com eles por meio das Ligas Volantes, em São Paulo, e em Maringá, onde eu era responsável por seis igrejas. Aquilo foi se desenvolvendo de tal forma que eu fui chamado para ser diretor de jovens na Associação Paraná-Santa Catarina. Mas eu fui estudar nos Estados Unidos. Foi bom porque que eu me preparei, aprendi o inglês, que me ajudou muito na preparação de materiais, que eram traduzidos. São fatores que desenvolveram minha paixão pelos jovens.

ASN – Pelo trabalho realizado em prol dos desbravadores, foi criada uma comenda com o seu nome. Qual o sentimento?

LR – Eu me senti muito honrado e digo humildemente que me marcou muito o povo do meu país se lembrar de mim, um líder aposentado. Foi realmente surpreendente, uma surpresa positiva ver o apoio dos atuais líderes para aqueles que trabalharam no passado como o pastor José Maria e Assad Bechara. Espero que no futuro eles também sejam reconhecidos. É um privilégio receber essa homenagem.

ASN – O que mais lhe marcou até agora neste Campori?

LR – O comportamento dos jovens. O próprio governador do Estado [de São Paulo], quando esteve aqui, elogiou o comportamento desses desbravadores. As pessoas que trabalham aqui no Parque do Peão estão impressionadas com nossos jovens. Quando cheguei no evento, vi 35 mil desbravadores, o maior Campori da minha vida, e poder sentir a amizade, o calor, o respeito, a disciplina e o entusiasmo é inspirador. Eu volto para casa e vou transmitir para os Estados Unidos e para o mundo o que vi aqui.

ASN – Deixe uma mensagem para os 35 mil desbravadores deste Campori e para aqueles que acompanharam o evento por outros meios.

LR – A mensagem é justamente os heróis que estamos falando durante as programações. Esses heróis testemunharam, apesar das lutas e dificuldades que enfrentaram. Virão lutas para os desbravadores, mas se eles tiverem a base e estiverem sólidos, vão defender a fé e, a exemplo de Paulo, completar a carreira.

[Equipe ASN, Lucas Rocha]

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