Dia da árvore

Ipê-amarelo. (Foto de Flávio Cruvinel Brandão)

Hoje é o dia da árvore e, em homenagem à essa data, nosso Sinais da Criação de hoje vai falar sobre a folha, uma estrutura aparentemente simples das plantas, mas que é altamente complexa, permitindo processos como a percepção da mudança da duração dos dias (fotoperiodismo) e o desencadeamento de alterações hormonais que comandam dormência e crescimento da planta, a síntese de compostos químicos fundamentais e secundários necessários para manter a vida e o crescimento da planta e a manutenção da sincronia dos processos de crescimento da planta com a sazonalidade e a produção de frutos e sementes.

Aqui está uma pesquisa publicada em janeiro de 2010, com meus comentários entre colchetes, falando sobre a tentativa de se copiar a folha das plantas.

Folha semi-artificial imita fotossíntese e produz hidrogênio limpo

Fotossíntese artificial

Fazer fotossíntese artificial é o grande sonho acalentado por todos os cientistas que lidam na área de energia. Quando o homem conseguir replicar a “mágica” das plantas, que transformam a luz do Sol em energia, estará resolvido todo o dilema energético e ambiental da nossa civilização. Apesar dos muitos avanços, o objetivo continua esquivo.

Folha semi-artificial

Contudo, em mais um passo que mostra que fazer fotossíntese artificial pode ser factível a longo prazo, cientistas chineses mudaram completamente a abordagem até agora utilizada para imitar a natureza e criaram [sic] uma folha artificial  da maneira mais prosaica possível: usando uma folha de verdade como molde [da mesma forma como foi “criada” uma bactéria recentemente].

Dada a complexidade inerente a qualquer ser vivo, os cientistas vinham tentando compreender as moléculas envolvidas e reproduzir sinteticamente as reações químicas básicas que ocorrem no interior das folhas quando elas usam os fótons da luz solar para quebrar as moléculas de água e gerar íons de hidrogênio.

O Dr. Qixin Guo e seus colegas da Universidade Shanghai Jiao Tong adotaram um enfoque diferente. Eles substituíram alguns componentes da folha de uma anêmona (Anemone vitifolia), mas mantiveram estruturas-chave da planta, alcançando um rendimento na absorção de fótons e na geração de hidrogênio que não havia sido obtido até agora.

Em vez de criarem uma folha totalmente artificial, os cientistas optaram por criar uma folha semi-artificial, mantendo estruturas da planta otimizadas pela natureza e de difícil reprodução.

Aproveitando a natureza

Inicialmente, eles mergulharam a folha natural em uma solução de ácido hidroclorídrico, o que permitiu a substituição do magnésio dos anéis de porfirina – uma parte essencial da estrutura fotossintética das plantas – por hidrogênio.

A seguir, as folhas foram tratadas com tricloreto de titânio, que substituiu as moléculas de hidrogênio por titânio.

Depois de secas, as folhas foram aquecidas a 500 °C, criando uma estrutura cristalizada de dióxido de titânio, um material que é largamente utilizado em células solares para aumentar sua eficiência. Na folha artificial, o dióxido de titânio serve como um catalisador para quebrar as moléculas de água.

A etapa de aquecimento também queimou a maior parte do material orgânico que ainda restava da folha original.

Imagens por microscopia eletrônica da estrutura da folha semi-artificial, preservando as estruturas naturais em um esqueleto de titânio. [Imagem: Zhou et al./Advanced Materials]

Preservando elementos naturais

Mas nem tudo da folha original se perdeu. Permaneceram, por exemplo, as células superficiais parecidas com lentes, que capturam a luz vinda de qualquer direção, e os microcanais que dirigem os fótons até a parte mais profunda da folha.

Foram preservados também os tilacoides, estruturas com apenas 10 nanômetros de espessura que aumentam a área superficial disponível para a fotossíntese. São os tilacoides os responsáveis pela grande eficiência das folhas na geração de hidrogênio.

Estava pronta a folha semi-artificial. Para testá-la, os pesquisadores mergulharam-na em uma solução de 20% de metanol, que funcionou como um catalisador.

Ao ser iluminada com luz na faixa do infravermelho próximo, a folha artificial absorveu duas vezes mais fótons e gerou três vezes mais hidrogênio do que os catalisadores à base de titânio disponíveis comercialmente (P25-Degussa).

Abordagem promissora

Apesar de serem números promissores em relação ao que havia sido alcançado até agora, a conversão é ainda muito ineficiente e está longe de competir com a produção industrial de hidrogênio, que hoje é feita a partir do gás natural.

Mas a abordagem mostrou-se incrivelmente promissora. Afinal, aproveitar uma parte da estrutura já desenvolvida pela natureza é muito mais simples do que tentar sintetizar toda a estrutura fotossintética natural.

Além disso, o enfoque poderá ser futuramente estudado em conjunto com as células solares fotovoltaicas tradicionais.

Bibliografia:

Artificial Inorganic Leafs for Efficient Photochemical Hydrogen Production Inspired by Natural Photosynthesis

Han Zhou, Xufan Li, Tongxiang Fan, Frank E. Osterloh, Jian Ding, Erwin M. Sabio, Di Zhang, Qixin Guo

Advanced Materials

Vol.: Published online before print

DOI: 10.1002/adma.200902039

Fonte: Inovação Tecnológica

As folhas das plantas, aparentemente tão simples, são responsáveis por uma das reações químicas mais complexas vistas na natureza, a fotossíntese. Mesmo utilizando a estrutura das folhas verdadeiras como “molde” para se gerar uma folha semi-sintética, até o momento não foi possível gerar uma semi-sintética tão eficiente quanto o “molde”. Se mesmo com um projeto tão bom e promissor quanto o visto no artigo não foi possível imitar o original, como podemos acreditar que essa estrutura fabulosa surgiu ao acaso, sem um projetista?

“A Natureza testifica de uma inteligência, de uma presença, de uma energia ativa, que opera em suas leis e por meio das mesmas leis.” Patriarcas e Profetas, página 114.

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