Adventist Help

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“No amor não há medo”. 1 João 4:18

Hoje nós temos um post muito especial para vocês. Durante o Campori da Divisão Intereuropeia, tivemos a oportunidade de conhecer o pastor romeno Mihai Brasov, que bondosamente nos enviou esse pequeno relato de uma experiência maravilhosa que viveu como voluntário na Grécia. Confiram!

Nós[1] estávamos nos preparando para irmos como voluntários por uma semana nas ilhas Lebos. Um dia antes de irmos, os ataques em Paris tomaram a cena. E isso mudou a maneira como muitos europeus viam os imigrantes.

Mas naquele momento, nosso chamado ficou ainda mais claro: pessoas estavam sofrendo e vivendo em perigo. Onde Jesus estaria nesses momentos, senão entre seus irmãos mais insignificantes?

De 22 a 29 de novembro nós ficamos em Skala Sykaminea, Lebos, Grécia. Nós passamos lá momentos muito marcantes, ajudando crianças, adultos e idosos a rir novamente e a recuperar a esperança em um novo amanhã. Nós pudemos fazer muitas coisas: ressuscitar os afogados, transportar os doentes, vestir aqueles que estavam com as roupas molhadas, aconselhar e até trabalhar na limpeza.

A clínica móvel Adventist Help (Ajuda Adventista, tradução livre) é o caminho perfeito para atender às necessidades básicas dos refugiados. Eles foram recebidos por Michael-John Von Hörsten, o coordenador do projeto, Mark Alt – coordenador das atividades daquela semana e por uma ótima equipe de médicos e voluntários de muitos países de toda a Europa.

As respostas às orações dos nossos amigos foram tão evidentes e fascinantes. Eu gostaria de contar para vocês apenas a história de uma família onde Deus criou um contexto especial.

No hospital, os médicos deram a ele uma dose de insulina a fim de estabilizá-lo e eles nos aconselharam a levá-lo para o campo de refugiados de Moria (o maior campo de refugiados na ilha, estabelecido para milhares de refugiados de 12 países). Nós deixamos a família lá ao cuidado de alguns médicos (apesar do fato de eles não terem insulina), que prometeram dar uma atenção especial a eles e a lidar com seus problemas.

Enquanto eu entrava no carro para deixar o campo a fim de ir para casa, fui dominado por um sentimento de tristeza, especialmente porque eu não tinha pegado o contato dessas pessoas que eu tinha começado a valorizar. Tínhamos ficado satisfeitos com apenas orar por eles seguir o nosso próprio caminho.

No dia seguinte, eu fui novamente ao hospital, desta vez com uma família de iranianos que tinha que ir lá para identificar os corpos de seus dois filhos que haviam morrido. Eu deveria ter ficado lá por horas, mas uma senhora dos EUA, uma advogada que cuidou do caso, me disse que eu poderia voltar porque ela ia cuidar da família. Enquanto eu saía do hospital, eu fiquei emocionado ao pensar que eu poderia ir ao acampamento Moria e procurar a família afegã. Quando eu cheguei lá, descobri que as coisas estavam completamente diferentes.

No dia anterior, 4000 refugiados chegaram e a presença do exército foi necessária a fim de manter as coisas calmas. Tentei chegar ao local onde nos despedimos na noite anterior, mas a tenda médica não estava mais lá. Restaram apenas alguns guindastes móveis. Do outro lado, um grupo de soldados estava bloqueando meu caminho. Fiz uma breve oração, sorri e tentei passar entre os soldados. Eles me permitiram passar.

O que eu vi era irreal. Milhares de pessoas reunidas em um só lugar. Alguns deles estavam dormindo no campo, outros estavam esperando em enormes filas para serem registrados, enquanto outros estavam lavando suas roupas, comendo ou me olhando com desconfiança. Eu procurei por aquela família por meia hora, mas sem qualquer resultado.

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Eu fui embora desapontado, mas havia algo em mim que não me deu paz.

Enquanto dirigia para fora do acampamento, vi à minha esquerda um monte coberto de barracas. Parei o carro e fui lá, na esperança de encontrá-los. Em menos de cinco minutos eu vi a família correndo em minha direção. Nós nos abraçamos, tiramos fotos e trocamos endereços. Eles também me levaram ao seu abrigo para me mostrar onde estavam vivendo.

No terceiro dia, o número de barcos que chegavam diminuiu. Então, à noite, eu pedi permissão ao Mark para sair mais cedo. Pouco antes de sair, um médico da Flórida veio até mim e me deu um saco preto. “Eu encontrei na praia. Tem remédios dentro. Veja o que você pode fazer com eles!”. Para mim foi um dos momentos mais impressionantes porque dentro havia… insulina! Florentina, a médica da nossa equipe, avaliou os outros medicamentos. Tudo o que estava dentro era para diabéticos. Então eu fui visitar nossos amigos afegãos levando um grande presente para eles.

Foi uma noite incrível. A família estava sobrecarregada. No começo eles estavam um pouco estressados porque não tinham nada para nos oferecer, conforme as regras árabes de hospitalidade, mas uma das meninas encontrou a solução perfeita: um pacote de goma de mascar. Nós cortamos pela metade todas as gomas de mascar e dividimos entre todos nós. Depois de uma noite cheia de histórias contadas sob a luz de uma lanterna, onde cantamos um hino cristão, e eles cantaram uma surata do Alcorão, nos despedimos com a promessa de que um dia nós nos encontraríamos novamente.

Mas até então, só temos que esperar quando a família de Deus estará junta novamente e nós encontraremos nosso refúgio.

Mihai Brasov, pastor, Bucharest

[1] O primeiro grupo de voluntários romenos para o projeto Adventist Help foi composto por Alex Sandulache, Clara Constantin, Diana Iana, Florentina Grigore, Larisa Marcu and Mihai Brasov.

1- Romênia

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