A luta pela identidade

A maior e principal tarefa da adolescência é a busca pela identidade. Atravessar a puberdade é equivalente a enfrentar uma “luta”, pois provoca nesse indivíduo um estado de confusão mental muito grande. As mudanças ocorrem em um ritmo alucinante. Em decorrência das transformações físicas e emocionais, esse adolescente se torna um estranho para ele mesmo. Sob essa luta hormonal, é natural que ele(a) comece a perguntar: “Quem sou eu”?

Perigos ao tentar descobrir essa identidade:

  • Que o adolescente sem identidade comece a se preocupar com a impressão que ele causa nos outros, adotando, assim, a postura ou o comportamento que, ele imagina, agradaria as pessoas.
  • Em vez de procurar descobrir quem ele é, trata de assumir comportamentos autodestrutivos. O perigo encontra-se no consumo de cigarro, bebidas, drogas, promiscuidade, etc.
  • Revolta: é uma etapa quase inevitável, pois se trata de confrontar a realidade com o idealismo. Por exemplo, é muito comum ver adolescentes revoltados com alguns valores familiares, espirituais e até sociais. O normal é que com a entrada na vida adulta esse idealismo exacerbado seja eliminado e essa revolta passe.
  • Opinião alheia: a visão que o adolescente tem de si mesmo depende e varia de acordo com a opinião das pessoas sobre ele. Essa é a maneira de chegar a formar uma autoimagem. O perigo consiste em esse indivíduo buscar contrariar a opinião alheia, adotando comportamentos negativos e prejudiciais, para frustrar a opinião positiva que as pessoas têm sobre ele. Ex.: ele era muito estudioso e agora não estuda mais!
  • Ídolos: a identificação com ídolos pode ser tão forte ao ponto de prejudicar a busca pela identidade de tal forma que colabore para a perda da própria individualidade.
  • Exclusão preconceituosa: na busca pela identidade, muitos jovens tornam-se extremamente intolerantes e até cruéis com algumas coisas e pessoas. Ex: excluem pelo modo de vestir do outro, ou a raça, a cor etc. O que ele inconscientemente está tentando fazer é reforçar o sentimento do “eu” por meio de comparações cruéis e até de exclusões.

O interessante para nós que trabalhamos com adolescentes ou que temos filhos adolescentes é que fiquemos atentos à maneira como eles reagem aos seus conflitos. Portanto, deixarei aqui algumas indicações:

  • Ocultação: alguns púberes adotam uma postura de não enfrentamento, ou seja, eles preferem ocultar ou evadir (fugir) os conflitos ao invés de enfrentá-los.
  • Outros preferem, sabiamente, sublimar esses conflitos, ou seja, um adolescente pode direcionar sua revolta para algo produtivo e saudável, como a prática de um esporte.
  • O isolamento emocional costuma ser muito prejudicial, pois seria como empurrar a poeira pra debaixo do tapete. Ela aparentemente desaparece, porém, nós sabemos que em algum momento nos depararemos com ela. (No dia da faxina!!!).
  • Alguns adolescentes optam por extravasar, expressando seus sentimentos por meio de comportamentos impulsivos, com a idéia de diminuir a tensão. Ex: matar aula, vandalismo, promiscuidade sexual.
  • E também existem aqueles que enfrentam seus conflitos com a superação. A falta de responsabilidade por suas ações e comportamentos cria nos jovens mais problemas do que eles já têm. Ao tentar ocultar ou extravasar seus conflitos, o jovem está evitando confrontá-los diretamente. O adolescente precisa saber que, às vezes, ele é responsável pelas coisas que lhe acontece e que às vezes não é! Ele deve entender que já tem capacidade para escolher e que suas escolhas gerarão consequências. Orientá-los é nosso dever, mas as escolhas são deles.

É uma etapa dolorosa para eles e difícil para os pais, porém a Palavra do Senhor é incontestável em dizer: “ensina a criança no caminho em que deve andar e mesmo depois de velha não se desviará dele”. Devemos ter a segurança que depois de toda essa turbulência virá a calma de quem instruiu os seus nos caminhos do Senhor! E estar atentos, pois em muitas vezes, durante a “turbulência”, será necessária a ajuda de um profissional (psicólogos e, às vezes, psiquiatras).

Um grande abraço a todos!

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