Arquivo | março 2011

Especialidade de Entalhe em Madeira: aprendendo a pesquisar

Esta especialidade foi uma sugestão de nosso amigo Igor Motta para a seção de especialidades do Cantinho da Unidade.

Assim como as outras especialidades manuais, o ideal é que se tenha alguém que conheça bem as técnicas para ensiná-la.

Estes são os requisitos necessários para se completar a especialidade de Entalhe em Madeira:

 

  1. Explicar as características das madeiras duras e macias, citando as que têm densidade melhor para trabalhos de entalhe.
  2. Descrever os diferentes instrumentos usados no entalhe de madeira, e explicar como afiá-los.
  3. Explicar os melhores métodos de lidar com a fibra da madeira.
  4. Desenhar e entalhar uma placa em baixo-relevo.
  5. Desenhar e entalhar dois dos itens a seguir: uma bandeja, suporte de livros, um apito, abridor de cartas ou outro item equivalente de sua escolha.

Essa especialidade, assim como outras originárias dos Estados Unidos, possui erros de tradução. Na especialidade original, o requisito 1 utiliza os termos hardwood e softwood. Soft quer dizer macia, hard quer dizer dura e wood é madeira. Assim, ao traduzir os termos para o português, softwood vira “madeira macia” e hardwood vira “madeira dura”, o que não é muito adequado. Na realidade, não é só um problema de tradução. Mesmo em inglês, os termos softwood e hardwood não são adequados. Ao usar estes termos, eles se referem a dois grandes grupos de vegetais produtores de madeira que, em português, são chamados de coníferas e folhosas. Os termos em inglês sugerem uma generalização que não é correta. Pelos termos, todas as coníferas forneceriam madeiras macias e todas as folhosas forneceriam madeiras duras, o que não é verdade. Clique aqui para saber mais.

Existem pouquíssimos tutoriais sobre esta arte, e estes se restringem à demonstração de trabalhos. Não falam sobre a escolha da madeira apropriada para trabalhos de entalhe e como lidar com suas fibras, descrição mais detalhada das ferramentas necessárias e o cuidado e manutenção destas ferramentas. Aqui e aqui encontramos uma lista das ferramentas usadas para entalhe em madeira e uma breve descrição delas. Essas ferramentas podem ser encontradas em site ou lojas de materiais de artesanato, como a Fruto de Arte. Abaixo estão links de vídeos mostrando alguns dos trabalhos de entalhe em madeira:

Além de existirem poucos tutoriais sobre o entalhe em madeira, também existem poucos livros em português. Abaixo estão listados dois bons livros sobre o tema:

  • HADAD, LUIZ CARLOS. Iniciar na arte de entalhar madeira. São Paulo, 2009. – Este livro está disponível para compra em http://www.entalhemadeira.com.br/.
  • POHL, HERBERT. Entalhar em madeira. Rio de Janeiro: Ediouro, 1982. – Este livro está esgotado na editora, porém pode ser encontrado em sebos e em sites de compra.

Uma boa opção para aprofundamento nesta arte são os fóruns de discussão, como o do Guia do Marceneiro, e comunidades no Orkut.

Em algumas cidades existem cursos especializados, o que pode ser interessante para quem pretende aprender o entalhe em madeira como profissão ou como hobby.

Caso tenha sugestões de livros, sites e vídeos interessantes, deixe-nos um comentário ou envie-nos um e-mail.

Dicas para caminhar com crianças

Caminhadas podem nos proporcionar momentos inesquecíveis, tanto para a diretoria quanto para os desbravadores. Mas para que isso aconteça, devemos preparar e planejar bem nossas caminhadas, ou podemos tornar essa experiência terrível. Portanto não devemos deixar tudo para a última hora ou criar expectativas em cima de algo que pode não se concretizar.

Aqui estão algumas dicas e sugestões para que as crianças tenham mais prazer em fazer caminhadas, aprendam a interagir com a natureza e queiram muito mais.

1. Divirta-se! – procure tornar tudo divertido, independente do resultado. Um cume não é o objetivo aqui, mas mostrar às crianças o quão divertido pode ser a vida ao ar livre. Se você quer fazer com que suas crianças gostem de caminhar, deixe-os ‘querendo mais’. Não os force a fazer tudo apenas porque estava nos seus planos. Nem tudo sai conforme o planejado, as crianças podem ficar irritadas, cansadas ou agitadas demais. Então se concentre em fazer da caminhada uma grande diversão. A partir do momento que as crianças aprendem a amar este estilo de vida, eles rapidamente procurarão mais desafios em seus passeios.

2. Esteja preparado – estar corretamente preparado é a chave para um dia perfeito com as crianças, ao ar livre. Lembre-se que não é apenas questão de ter o equipamento e as informações corretas, mas de atitude e pensamentos certos. Crianças não têm a mesma força e resistência dos adultos. Elas ficam com frio mais rapidamente, são mais ativas, ficam cansadas ou aborrecidas com mais facilidade e freqüentemente atropelam as regras de segurança, durante seu entusiasmo.

3. Sugestões de preparação mental:

  • Faça um plano realista. Não coloque peso em excesso em suas mochilas, não superestime as habilidades deles, escolha trilhas adequadas e com metas fáceis de alcançar, leve um mapa ou guia para ir mostrando o progresso e o que esperar.
  • Caminhe em passos lentos. Deixe tempo suficiente para descansos freqüentes, incentive-os com palavras motivadas, parabenize-os pelos ganhos, dê lanches durante o caminho, incentive-os a parar e explorar o local toda vez que algo interessar a eles.
  • Seja paciente. Não se preocupe em sair dos planos de horários e distâncias. Esteja realmente preparado para mudar seus planos! Escute o que as crianças estão dizendo e mantenha, sempre, a mente aberta. Não é sempre que poderão participar de atividades em meio à natureza.
  • Encoraje-os a seguirem regras rígidas de segurança, responsabilidade e impacto ambiental. Sempre que possível, explique ao invés de dar ordens (a menos que a segurança delas e do meio ambiente esteja correndo riscos). Aproveite esta oportunidade para ensiná-las sobre o meio ambiente.
  • Prepare alguns jogos ou atividades para serem feitas durante o passeio. Livros de natureza também são uma boa pedida e podem ser lidos/estudados durante o caminho. Só não esqueça de procurar um livro adequado ao ecossistema que se está visitando.
  • Incentive as crianças a procurar objetos específicos, contar quantidade de insetos, tipos de árvores, etc. Talvez eles possam até surpreender-nos com o que deixamos de ver.

 4. Sugestões de equipamentos:

  • Calçados – Para caminhadas de mais de um dia, com mochilas pesadas, procure botas especiais e amacie-as antes. Elas devem ser confortáveis, leves e flexíveis, com um solado bom e aderente e, de preferência, com cano alto ou meio cano, que protege o tornozelo de torções. Para caminhadas de um dia, com mochilas leves, um bom tênis pode servir. Mas procure aqueles com meio cano, que darão uma proteção maior ao tornozelo.
  • Meias – dê uma atenção especial a elas e use sempre duas, uma fina e outra mais grossa por baixo. Cada estação pede um tipo de meia mas nunca use uma 100% algodão, pois elas empapam e podem causar terríveis bolhas. Existem materiais sintéticos que deixam o pé sempre seco e funcionam muito bem, tanto em lugares úmidos ou secos e frios ou quentes.
  • Mochilas – escolha-as cuidadosamente e que seja apropriada ao tamanho, peso e força da criança + o tamanho e a dificuldade da caminhada. Para crianças maiores em caminhadas com pernoite, escolha uma mochila feita especialmente para elas ou, então, que se ajuste perfeitamente ao corpo delas. Lembre-se que crianças não devem carregar mais do que 20% de seu próprio peso!
  • Saco de Dormir – para ter certeza que as crianças terão uma agradável noite ao ar livre, escolha um saco de dormir que seja apropriado ao tamanho delas e esteja de acordo com o frio que irão enfrentar. Caso você acampe freqüentemente com eles, a sugestão é comprar um saco de dormir para temperaturas mais baixas mas que venha com um zíper. Abrindo-o, você terá o material perfeito para dias mais quentes. Nunca é demais lembrar que crianças sentem mais frio que adultos.
  • Roupas – o princípio da cebola funciona muito bem também com crianças, ou seja, vista-as em várias camadas, colocando uma camada de algum material sintético junto ao corpo, camadas intermediárias de roupas de fleece (fibra polar) e camadas externas de casaco e calça corta-vento (anorak). Claro que tudo isto só é necessário em locais mais frios, mas tê-los à mão na mochila para qualquer eventualidade, nunca é demais (embale-os sempre em sacos plásticos, para que se mantenham secos mesmo durante um temporal). Um chapéu, para dias mais quentes, e um gorro, para dias ou horas mais frias, já que perdemos até 25% do nosso calor pela cabeça. Roupas coloridas são sempre uma ótima idéia, pois nos ajudam a encontrá-los durante a atividade.

 5. Sugestões de coisas que não deviam faltar na mochila!

  • Protetor solar.
  • Repelente.
  • Óculos escuros (com proteção UV).
  • Apito, para chamar realmente a atenção durante uma emergência – as crianças podem usá-lo pendurado no pescoço e, desta forma, poderão acioná-lo a qualquer momento.
  • Lanterna (uma para cada integrante do grupo).
  • Primeiros socorros.
  • Relógio, mas use-o! Defina horários rígidos para a volta e cumpra-os.
  • Mapa ou guia e bússola – estude-os e saia de casa sabendo utilizá-los corretamente.
  • Papel Higiênico
  • Saco de lixo – ensine os pequenos a trazer de volta tudo o que levou.
  • Água e lanches – procure ensiná-los a não comer tudo, deixando um pouco para emergências (ou levando um pouco a mais para o mesmo fim).
  • Máquina fotográfica – este deve ser um item barato e poderá ser um importante aliado na tarefa de fazê-los aproveitar e gostar da vida ao ar livre. Além de ser uma forma de registrar o passeio, também os estimulam a vivenciar uma das frases mais importantes dos amantes da natureza: “tire apenas fotografias e deixe apenas pegadas”.

Se tiver outras dicas, nos deixe um comentário ou envie um e-mail.

Fontes:
http://www.trilhaserumos.com.br/dicas_dicasuso_ler.asp?IdDica=11
http://www.good4kids.com.br/comecando-na-trilha/7-dicas-para-uma-caminhada-mais-agradvel-com-as-crianas.

Quantas vezes perdoar?

“Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Mt. 18:21

Jesus já estava mais ou menos no meio do Seu Ministério. A maior preocupação dele era ensinar os discípulos, mas eles eram como nós, demoravam muito a aprender.

Pedro amava muito Jesus, mas ele tinha problemas em perdoar. Então, um dia, Pedro pergunta a Jesus: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? “ Mt 18:21

Os fariseus diziam que deveriam perdoar até 3 vezes. Mas Pedro, sabendo que Jesus era diferente, longânimo e paciente chutou o número 7. Então Jesus, com todo o cuidado, respondeu: “Eu lhe digo: não até sete, mas até setenta vezes sete.” (v. 22).

Percebendo que até o momento os discípulos não haviam entendido muito bem os Seus ensinamentos, começou a contar a seguinte parábola: “Por isso, o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos…”

Jesus estava tentando fazer que eles compreendessem o que era perdoar. O conceito de perdão de Deus está escrito em Miquéias 7:19: pisarás as nossas maldades e atirarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar. Quando Deus nos perdoa, Ele esquece e não se lembra nunca mais. Então Jesus continua contando a história:

(…) Quando começou o acerto, foi trazido à sua presença um que lhe devia uma enorme quantidade de prata. Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida. “O servo prostrou-se diante dele e lhe implorou: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo’. O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir. “Mas quando aquele servo saiu, encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Agarrou-o e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague-me o que me deve! ’ “Então o seu conservo caiu de joelhos e implorou-lhe: ‘Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei’. “Mas ele não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Quando os outros servos, companheiros dele, viram o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido. “Então o senhor chamou o servo e disse: ‘Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você? ’ Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia. “Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão”. (v. 24-35).

Vamos pensar um pouco sobre nosso estilo de perdoar. É mais ou menos assim: eu te perdôo, mas nunca mais quero conversar com você; ou, eu te perdôo, mas ainda estou com raiva; ou ainda, ficamos contando quantas vezes nós já perdoamos. Vem cá, se nós perdoamos, não deveríamos esquecer??? Às vezes argumentamos que o que a pessoa fez foi imperdoável, mas será que existe pecado que Deus não possa perdoar? Vejamos o que está escrito em Isaías 1:18: “Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão.”

 

Deus está disposto a nos perdoar por mais tenebrosos que sejam os nossos pecados. E nós ainda temos a coragem de comparar nossas ofensas a Deus com as ofensas que outros nos fazem? Como podemos nos achar no direito de não perdoar?

Na oração que Jesus nos ensinou falamos: “perdoa-nos, assim como nós perdoamos” Mt 6:12 Mas será que realmente queremos que Deus nos perdoe como nós perdoamos os nossos irmãos?

Por isso não podemos julgar e nem condenar ninguém. Mas aí falamos aqui que devemos perdoar e esquecer. Mas como se faz isso de verdade?

Ellen White nos esclarece que o arrependimento é dado pelo Espírito Santo. Assim, a capacidade de perdoar também será dada por Ele. Mas para que Ele possa nos ajudar nessa tarefa precisamos permitir, entregar a Deus o sentimento ruim e pedir ajuda para transformar aquele sentimento.

Que possamos ter o coração aberto à atuação do Espírito Santo, para que Ele nos ajude a perdoar, para que também possamos ser perdoados.

Recomendamos

Não tenho fé suficiente para ser ateu

Além de líderes de desbravadores, nós do blog somos da direção da Associação de Universitários aqui na APlaC. Uma de nossas principais preocupações é ajudar o jovem que entrou na Universidade a manter firme a sua fé mesmo em meio a todos os questionamentos impostos.

Quando pensamos em questionamentos universitários sempre vem à nossa mente a dicotomia entre evolucionismo e criacionismo. Gosto muito da sessão Sinais da Criação do nosso blog, também gosto de ler os textos do Michelson Borges sobre criacionismo e de todos os assuntos que provam que Deus criou o Universo e o sustém.

Entretanto, nem todos que iniciam um curso superior vão enfrentar professores que duvidam da Criação. Esse é o meu caso, vou me formar esse ano e esse assunto nunca esteve presente em minhas salas de aula. Isso quer dizer que minha fé nunca foi questionada? Claro que não.

Os estudantes da área de Ciências Humanas ou Ciências Sociais Aplicadas geralmente não discutem sobre Criacionismo, suas principais questões são: Como as sociedades foram organizadas? O que é a verdade? A verdade é relativa ou absoluta? E aí por diante.

Então, o que responder quando um professor tem todos os argumentos para dizer que a verdade é relativa? Como explicar a ele que existe sim uma verdade absoluta?

Este livro de título intrigante nos dá embasamento para responder a essas perguntas e assim estaremos preparados para obedecer ao comando Divino: “Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (IPe 3.15)

Para te deixar curioso transcrevo aqui o último parágrafo do prefácio, escrito por David Limbaugh:

Este livro também me chamou a atenção porque, antes de tocar a questão da verdade do cristianismo, aborda a questão da própria verdade, provando de modo definitivo a existência da verdade absoluta. Ele destrói as tolices do relativismo moral e da pós-modernidade e, então, continua a marchar sistematicamente rumo à inescapável verdade da religião cristã. Este é um livro que precisava ser escrito e publicado. Existem muitas pessoas famintas esperando pelas verdades que são mostradas de maneira brilhante nesta obra.

Não deixe de ler! Você pode encontrá-lo em várias livrarias e o site da editora é este http://www.editoravida.com.br/loja/product_info.php?products_id=53.

O Estatuto da Criança e do Adolescente e os Desbravadores

Quase todos já ouviram falar sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, sabem que é a legislação especial brasileira que fala sobre os direitos da criança, mas muitos não sabem o que os artigos desse Estatuto têm a ver com sua vida, ou como eles influenciam nosso trabalho no Clube de Desbravadores.

Por esse motivo, o Cantinho da Unidade traz para você os pontos mais importantes desta legislação.

O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n. 8.069, foi publicado em 13 de julho de 1990 e atualmente conta com 267 artigos que tratam não somente dos direitos da criança, como também do procedimento para o tratamento do menor infrator, bem como de toda estrutura governamental que deverá atender ao menor.

O conceito de criança para a Lei é a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. As disposições preliminares instituem que a responsabilidade pela educação e cuidados da criança e do Adolescente é dever tanto da família, quanto da sociedade, quanto do Poder Público (art. 4º). O art. 5º estabelece que nenhuma criança deverá sofrer negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

O segundo Título da Lei trata dos direitos fundamentais da criança e explica como cada um deles deve ser exercido. Os principais são:

  • Direito à vida e à saúde;
  • Direito à liberdade, ao respeito e à dignidade;
  • Direito à convivência familiar e comunitária (essa é a parte do Estatuto que rege a adoção);
  • Direito à educação, cultura, esporte e lazer;
  • Direito à profissionalização e à proteção no trabalho;

As medidas especiais de prevenção em relação à ameaça e violação dos direitos da criança estão elencadas no Título III. Essa prevenção refere-se principalmente à classificação indicativa de espetáculos, shows e literaturas inadequadas aos menores; à proibição da venda de armas, bebidas alcoólicas ou produtos que causem dependência e à proibição de viajar para outra comarca desacompanhada dos pais ou responsáveis.

A autorização para viajar é um dos pontos que, como líderes de desbravadores, precisamos prestar bastante atenção. Quando formos viajar com as crianças (isso inclui qualquer evento fora do local regular de reuniões, como acampamentos, passeios, caminhadas, etc.), devemos sempre ter a autorização por escrito dos pais ou responsáveis e a certidão de nascimento/RG delas, ou poderemos ter problemas sérios caso o transporte seja parado em uma blitz, por exemplo.

A partir daí a lei começa a falar sobre a política de atendimento ao menor, as medidas protetivas, as medidas sócio-educativas e o tratamento aos menores que praticam ato infracional (ato infracional é qualquer conduta descrita como crime ou contravenção penal praticada por menores de 18 anos), bem como regulamenta a estrutura do Poder Público (Vara da Infância e da Juventude, Conselho Tutelar, a atuação do Ministério Público e do advogado) responsável pela proteção dos interesses individuais difusos e coletivos ligados à infância.

A partir do art. 225 até o art. 258-B, o ECA fala sobre crimes e infrações administrativas praticados contra o menor. Os artigos que mais merecem a nossa atenção são:

Art. 232. Submeter a criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento. Devemos tomar cuidado com o que significa a palavra vexame ou constrangimento. Qualquer tipo de humilhação como xingar; fazer a criança “pagar” apoios, polichinelos ou abdominais; ridicularizá-la por não conseguir fazer algum comando de ordem unida ou aprender determinada habilidade; obrigar a criança a participar de atividades que ela tenha medo ou receio, exemplo, obrigá-la a rastejar na lama ou passar numa falsa baiana; colocar apelidos pejorativos, como gorducho, lagartixa, entre outros; enfim, qualquer atitude que fira a moral do desbravador.

Arts. 240 a 241-E. Esses artigos tratam da exploração sexual de menores, seja através de fotografias, filmagens ou registros de qualquer meio de cenas de sexo envolvendo crianças ou mesmo do aliciamento de menores para a prática de ato libidinoso. Este é um problema para o qual precisamos estar de olhos bem abertos e “antenas ligadas” sempre. Não que isso vá acontecer dentro do Clube, mas precisamos estar alerta para identificar quando a criança está sendo vítima desse tipo de abuso.

Entretanto, também precisamos tomar cuidado com certas atitudes que não vemos nenhuma maldade, mas que podem trazer conseqüências negativas, como por exemplo, o conselheiro dormir na mesma barraca que os desbravadores. Antigamente essa era uma prática comum, mas em vários treinamentos os departamentais têm nos alertado e solicitado que isso não mais aconteça. Também as crianças não devem tomar banho nuas coletivamente, muito menos na presença de adultos também nus. Mesmo que sejam todas do mesmo sexo.

Estamos falando de desbravadores, mas precisamos prestar atenção também ao colocar fotos dos filhos, mesmo que sejam os nossos, na internet. O bebê tomando banho ou de bumbum para cima, pode ser bonitinho para alguns, mas na mente pervertida dos pedófilos, esse tipo de imagem tem outro efeito.

Outro caso que nunca pode acontecer é o conselheiro facilitar o acesso das crianças a material pornográfico (revistas, vídeos ou até mesmo piadinhas). Se isso acontecer, o adulto deve ser imediatamente afastado do Clube e o caso deve ser passado para a Comissão da Igreja para que se tomem as devidas providências.

Sobre como identificar casos em que as crianças estejam sofrendo qualquer tipo de abuso, vamos falar em outro post, para o qual estamos procurando conseguir auxílio de um psicólogo.

Art. 243. Fornecer à criança, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida. Esse artigo se aplica principalmente a substâncias entorpecentes e bebidas alcoólicas, mas, como líderes de desbravadores, devemos tomar muito cuidado também com a administração de medicamentos, pois os mesmos são drogas lícitas que podem causar dependência. A administração de algum medicamento à criança deve ser somente por prescrição médica e por solicitação dos pais. Nas saídas com o Clube tenha sempre à mão a ficha de saúde dos desbravadores, onde deve constar se o desbravador necessita de algum tipo de medicamento de uso contínuo ou se possui alguma alergia.

Art. 244. Fornecer à criança ou adolescente fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles que, pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida. Parece uma coisa simples, mas permitir que um desbravador manuseie qualquer tipo de fogos de artifício pode gerar detenção de 6 meses a 2 anos, além de multa. Portanto, nunca deixe seus desbravadores manipularem nenhum objeto desse tipo, pois mesmo os conhecidos “chuva de prata” ou “fumaça colorida” podem causar queimaduras e aí você estará bem encrencado!

Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 anos. Isso inclui induzir o menor a praticar alguma infração penal ou praticar juntamente com ele, inclusive por meios eletrônicos, como MSN, Orkut ou qualquer outra rede social.

Os demais artigos tratam sobre infrações administrativas, que são, por exemplo, transportar crianças sem autorização (art. 251); não fixar classificação indicativa nas atrações públicas (art. 252); exibir qualquer tipo de programação inadequada às crianças (art. 255) etc.

Em resumo, devemos ter a consciência de que as crianças que estão sob nosso cuidado são bens preciosíssimos, dos quais Deus exigirá contas no último dia. Portanto, devemos cuidar bem delas, não só por causa da legislação do país, mas pela orientação divina.

“O bom caráter é um capital mais valioso do que a prata e o ouro. Não é afetado por crises nem fracassos, e naquele dia em que hão de ser destruídas as riquezas terrestres, os seus frutos serão fartos. A integridade, a firmeza e a perseverança são qualidades que todos devem zelosamente cultivar, pois elas revestem seu possuidor de um poder irresistível – um poder que o torna forte para fazer o bem, forte para resistir ao mal, forte para suportar a adversidade”. Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, págs. 225 e 226.

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