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Ansiedade e adolescência

Todos sabemos, ouvimos ou observamos que nos últimos tempos o número de pessoas com diagnóstico de ansiedade tem aumentado enormemente.  Há inclusive quem diga que o estresse e a ansiedade são os fenômenos psicológicos mais conhecidos e comentados nos nossos dias.

Dentro do contexto clínico, a ansiedade vem acompanhada de vários sintomas físicos. Alguns deles (os mais comuns) são:

  • Insônia
  • Aceleração dos batimentos cardíacos
  • Micção frequente
  • Perda do apetite ou aumento exacerbado
  • Respiração entrecortada
  • Tontura
  • Tremores

O adolescente com ansiedade experimenta diariamente alguns desses sintomas. Vive num estado constante de tensão, apreensão e inquietação. É comum observar que essas pessoas são mais sensíveis nos relacionamentos interpessoais além, de muitas vezes, se sentirem socialmente desconfortáveis. É corriqueiro observar a dificuldade que os portadores de ansiedade apresentam para se concentrar e para tomar decisões por medo de errar. Em consultório os relatos sobre tensão muscular, insônia, mãos frias e etc. são frequentes.

É claro que para ser realizado o diagnostico é necessário procurar um profissional (psiquiatra), contudo, vamos ver hoje algumas das principais causas do conflito:

  • Autossugestão negativa: se trata da avaliação que o adolescente faz de um acontecimento. Muitas vezes essa avalição negativa é fonte de estresse. Por exemplo: tira uma nota ruim na escola. Daí ele interpreta não como um resultado negativo, o que pensa é: sou um estupido, não sirvo pra nada!!! (a ansiedade vem dele começar a acreditar nisso).
  • Insegurança: a ansiedade se deveria ao fato de o jovem ver-se mergulhado em dúvidas sobre si mesmo.
  • Incoerência: o adolescente com pouca estabilidade na vida provavelmente sofrerá de ansiedade.
  • Crítica formalista: doses constantes de críticas por parte de colegas ou adultos pode provocar ansiedade.
  • Permissividade: a falta de limites claramente definidos pode gerar insegurança e essa levar à ansiedade.
  • Perfeccionismo: a expectativa de perfeição por parte dos adultos costuma gerar ansiedade em grande parte dos adolescentes.
  • Neurologia: a ansiedade por ser causada por problemas neuroquímicos. (O psiquiatra recomendará um remédio que ajude o organismo a produzir ou a suprir a produção de hormônios essenciais ao bom funcionamento).
  • Distúrbios físicos: o uso de drogas, bebidas alcoólicas, hipertireoidismo, diabetes entre outros pode causar o estresse.
  • Falta de significado: vazio existencial.

Como pais, educadores e líderes podemos ajudar esses adolescentes a superar essas dificuldades:

  • Ajudar esse jovem a encarar sua ansiedade não como falta de força psicológica, força espiritual ou determinação, e sim como algo capaz de solução.
  • Evitar tapinhas nas costas: dizer que é normal!!! que vai passar, é coisa da idade!!!. Nada disso vai ajudar. O ideal é buscar ajuda profissional, com um psicólogo, e se ele encaminhar ao psiquiatra é importante que o tratamento seja feito com muita responsabilidade.
  • Reconhecer as vantagens da ansiedade: o primeiro passo para se livrar do problema é parar de ter medo de sentir a ansiedade e reconhecer que ela pode até ser produtiva. Por exemplo: o aluno ansioso pode se ver impulsionado a estudar muito com o intuito de ser aprovado. A ansiedade também pode ser um alerta que indica que o individuo violou algum aspecto do seu código moral.
  • Reconhecer a ansiedade como um agente de crescimento: é comum que cada fase do desenvolvimento venha marcada por alguma ansiedade. Um adolescente, por exemplo, que sai de casa para ir estudar fora, num internato ou em outra cidade, vai se sentir ansioso durante um tempo, mas essa ansiedade poderá fazer com que ele cresça emocionalmente. Se o tempo para recuperar dessa angústia excede o tempo considerado normal, é necessária, muitas vezes, a ajuda do terapeuta.

O trabalho que o terapeuta fará com os pacientes ansiosos dependerá da orientação e da formação que ele tenha, contudo, geralmente são trabalhados os seguintes aspectos:

  1. Determina-se a gravidade da do caso;
  2. Poderá solicitar exames físicos, a fim de descartar distúrbios orgânicos;
  3. Neutralizar algumas ansiedades: técnicas utilizadas em consultório, como relaxamento, etc., treinamento em autossugestão positiva (hoje eu não tirei uma boa nota, mas na próxima vou conseguir!!!);
  4. Ensinar a fazer relaxamento muscular profundo;
  5. Ver a necessidade de encaminhá-lo a um psiquiatra a fim de unir o benefício da medicação com os objetivos terapêuticos.

Alguns versículos bíblicos são muito bons para serem lidos por esses jovens. Aqui deixo alguns:

Lança o teu cuidado sobre o SENHOR, e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado. Salmos 55:22

A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra. Provérbios 12:25

Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. Mateus 6:34

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. João 14:1

Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Filipenses 4:6-7

Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. 1 Pedro 5:7

Pais divorciados

É notável o aumento alarmante do número de divórcios a cada ano em todo o mundo.

A grande maioria dos jovens com pais divorciados terminam vivendo com um deles. Outra parte “ganha uma família nova”. E não é incomum ver alguns adolescentes assistirem um segundo divórcio de um dos pais.

Existem estudos que apontam que os filhos que moram com um dos pais têm o dobro ou o triplo de chances de padecer de problemas emocionais e comportamentais, são mais propensos a serem expulsos, suspensos da escola ou até a abandonar os estudos. Aumenta-se o risco de gravidez na adolescência, uso de drogas e de terem problemas com a justiça.

Não é difícil encontrar esses indivíduos enfrentando dificuldades na vida adulta. Essas dificuldades costumam ser observadas na hora de estabelecer um relacionamento amoroso, construir uma família e até para conseguir um emprego estável.

Os “filhos do divórcio” costumam reagir com depressão, retraimento, pesar, medo, raiva, vergonha, queda no rendimento escolar e sentimento de perda ou rejeição.

Esse é sem duvida um dos problemas modernos que mais necessitam de ajuda profissional, para ajudar a superação desse momento crítico.

Vamos citar aqui algumas das causas do conflito na vida dos adolescentes:

  • O aumento mundial desse fenômeno: nos últimos 30 anos o aumento dos divórcios cresceu assustadoramente em todo o mundo.
  • Falta de modelo do papel feminino e masculino: 8 de cada 10 casos a guarda dos filhos fica com a mãe. O fato de se verem pouco dificulta a formação de modelos parentais saudáveis. Embora a guarda compartida seja possível, ainda é muito rara.
  • A insuportável dor da perda: é muito comum escutar dos adolescentes que o divórcio dos pais foi a experiência mais dolorosa que viveram. O trauma emocional e a dor de perder os pais por causa da dissolução do casamento sem dúvida é um dos fatores que mais contribuem para os conflitos que o adolescente sofrerá em seguida.
  • O gênero: o divórcio afeta mais os meninos que as meninas. E quanto mais idade ele tiver, mais dificuldades escolares ele terá.
  • Saúde emocional dos pais: esse é outro fator que pode prejudicar o adolescente. Os pais ficam menos capazes para realizar seus papeis parentais, têm dificuldade de manter a disciplina e podem cobrar excessiva maturidade dos filhos e se mostrarem menos afetuosos.

Os pais devem preparar-se para ajudar esses filhos a enfrentarem esse período da forma menos daninha possível.

Aqui vão algumas dicas para esses pais:

  1. Esperar o luto: entender que esse divórcio é inconscientemente elaborado como um luto. É preciso ter paciência e esperar o tempo necessário para que o impacto seja absorvido.
  2. Permitir a raiva: de todos os estágios que existem na superação do luto, a raiva é o maior e mais intenso deles. Tente dar a ele a oportunidade de expressar a sua raiva e expressá-la de forma não violenta e nem negativa.
  3. Esperar sentimento de culpa: isso acontece principalmente nos primeiros meses após o ocorrido. A terapia pode ajudar muito nesse aspecto, facilitando a compreensão do conflito.
  4. Ajudar a evitar problemas na escola: buscar ajuda de tutores, orientadores, psicopedagogos e até psicólogos, a fim de minimizar as possíveis dificuldades escolares.
  5. Não obrigá-lo a ser intermediário do conflito: isso acontece quando o jovem se vê obrigado a transmitir informações de um elemento do ex casal para outro. Isso é nefasto. A ansiedade e angústia geradas podem ser agonizantes.
  6. Não esperar que a outra família resolva os problemas: os problemas eventuais que surjam do divórcio são de responsabilidade dos pais e não dos cônjuges da segunda família.
  7. Atenção ao risco de suicídio: as pesquisas mostram que a taxa de suicídio é maior no caso de filhos de pais divorciados. Um profissional psicólogo pode ser de grande ajuda.
  8. Esperar efeitos duradouros.

Embora seja um fato lamentável, devemos usar de sabedoria para ajudar nossos filhos a enfrentarem essa situação da maneira menos dolorosa possível.

Espero que essas dicas sejam uteis também a você que é filho de pai separado, para que ao identificar-se com algum ponto mencionado, entenda que esse processo é doloroso, mas que existe ajuda possível e profissional para todos.

Um grande abraço a todos e até a próxima coluna.

Desenvolvimento infantoadolescente e liderança: Desenvolvimento infantoadolescente

Seguindo a proposta de currículo que apresentamos para o Curso de Treinamento de Diretoria – nível básico, damos continuidade hoje à nossa série de posts com a 5ª aula. Trabalhamos com juvenis e adolescentes de 10 a 15 anos, faixa etária em que ocorrem as principais transformações da vida. Só teremos êxito em nossa missão, se compreendermos o que acontece com essas pequenas mentes em formação.

Para ajudá-lo no preparo teórico para essa aula, confira também nossa seção Compreendendo o desbravador.

Alguns slides possuem comentários embaixo, então é necessário baixar o arquivo e ler com atenção. Qualquer dúvida, estamos à disposição.

Um elemento importantíssimo da aula é o vídeo Adolescência: cérebro em formação:

 

Sentimento de inferioridade na adolescência

O sentimento de inferioridade é algo extremamente comum em pessoas de todas as idades e mais comum ainda na adolescência.

A inferioridade e a autoestima costumam ser os assuntos mais tratados quando se fala de psicologia do adolescente. É necessário que nos lembremos que uma autoestima saudável é um excelente remédio para outros problemas comuns dessa etapa. Está comprovado pela ciência que a inferioridade é um fator determinante em distúrbios da ansiedade, fobias sociais, compulsão alimentar, baixo rendimento escolar, depressão, abuso de drogas, gravidez precoce e até mesmo dificulta as aspirações vocacionais. É fundamental que esse problema seja tratado ainda na adolescência a fim de evitar que esse jovem entre na vida adulta arrastando sentimentos negativos sobre si.

Existem vários indicadores de baixa autoestima ou inferioridade na adolescência:

  • Origem da atribuição: o indivíduo acredita que seu sucesso, assim como seu fracasso, depende de suas ações ou capacidade interna ou depende de fatores externos como a sorte ou o acaso. O problema é que o adolescente com baixa autoestima considera que seus sucessos dependem da sorte e que seus fracassos se devem a características pessoais. Um exemplo poderia ser aquele jovem que considera haver tirado uma boa nota em uma prova porque esta estava fácil. Esse mesmo jovem afirma, em outra oportunidade, que tirou uma nota baixa porque é incompetente ou incapaz.
  • Falta de confiança em si mesmo: existem adolescentes que acreditam que podem mudar uma situação adversa. Esses indivíduos apresentam mais resistência e propósito. Por outro lado, alguns não acreditam e desistem. Esse é o caso de quem tem uma baixa autoestima, apresentam uma maior chance de sofrer por desvalorizar-se.
  • Posição defensiva: o adolescente com inferioridade costuma sentir-se magoado, e para defender-se de possíveis magoas futuras, cria barreiras. Escondem-se atrás da hostilidade, crítica, arrogância, desconfiança e negação.

Principais causas do conflito

  • Superproteção: a criança superprotegida cresce sem confiar na sua capacidade e tem mais medo de errar. Costumam ser mais tímidas e não conseguem desenvolver de maneira eficiente os sentimentos de autoconfiança, eficiência e domínio próprio.
  • Expectativas perfeccionistas: alguns pais criam expectativas muito altas para seus filhos e não aceitam os erros que possam cometer. Esse fardo que as crianças carregam acaba gerando o sentimento de inferioridade.
  • Influencias físicas: as características físicas pessoais podem gerar problemas na autoimagem e influenciar negativamente a inferioridade.
  • Raciocínio falho: é comum que adolescentes criem autossugestões irreais. Por exemplo: sou feio, sou burro, e vivem com essas mentiras como se fossem verdades e por isso se sentem inferiores.
  • Teologia falha: infelizmente alguns jovens creem que Deus não se importa com eles. Outros pensam que Deus quer que eles se sintam inferiores, por não entenderem o conceito de humildade, comum no linguajar religioso. Chegam, às vezes, a pensar que o amor-próprio é pecado. Quão equivocados estão! Deus nos exorta a que amemos uns aos outros assim com a nós mesmos.
  • Exemplo: quando os próprios pais se sentem inferiores, é comum que os filhos copiem esse modelo.

Como ajudar esses adolescentes

Não sei se vocês, amigos leitores, puderam observar que muitas das causas do conflito têm influência no estilo de criação desses indivíduos. Nesse caso será necessário que os pais revejam algumas condutas e tratem de mudar de atitude. Nesse caminhar é bom contar com a ajuda de um profissional psicólogo a fim de verificar a melhor maneira de mudar esses comportamentos negativos, ajudando assim os filhos e até a si mesmos. A ajuda profissional será bem-vinda porque é necessária uma pesquisa profunda na personalidade desse jovem a fim de buscar ferramentas para ajudá-lo a superar seus complexos, suas crenças irracionais e a criar metas mais razoáveis para sua vida.

O trabalho quase sempre reúne a família e o jovem. Mas também é possível a terapia individual. O importante é que busquem ajuda para superar essa dificuldade e serem mais felizes!!!

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O Cérebro Nosso de Cada Dia

Ultimamente nós do Cantinho da Unidade temos pesquisado bastante sobre processos de aprendizagem e sua relação com o programa dos desbravadores. Temos notado durante as palestras que damos nos treinamentos e através do relato de alguns de vocês que o Clube está carente de formação. Conselheiros que não compreendem seus desbravadores, instrutores que não têm nem noção de didática, diretores que não sabem administrar, capelães que nem sequer fazem o ano bíblico e por aí vai.

Temos tentado de alguma forma contribuir para melhorar esse quadro. O Blog é uma das ferramentas, pois sabemos que o conhecimento é fundamental para se ter um bom desempenho no trabalho com os desbravadores. E é por isso que recomendamos esse site. O Cérebro nosso de cada dia foi pensado por uma neurocientista que tem com um de seus ideais tornar o conhecimento sobre o cérebro acessível ao maior número de pessoas possível.

Nesse site você poderá encontrar desde curiosidades e joguinhos de atenção para fazer com seus desbravadores no cantinho da unidade até informação de alta relevância para você conhecer melhor os mecanismos de cognição e compreender ainda melhor seus meninos e meninas. Vai entrando e clicando em cada uma dessas figurinhas que com certeza você vai encontrar muita coisa interessante.

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