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Cartão de controle do instrutor para as Classes

Em setembro de 2011, postamos AQUI no nosso Cantinho os cartões de controle para instrutores de classes. Neles tem listado todos os requisitos da classe e tem o espaço para colocar o nome de cada desbravador. Assim, conforme o desbravador for cumprindo o requisito, o instrutor faz a marcação, permitindo assim um melhor controle.

Apesar de bastante simples, esses cartões são extremamente úteis para aqueles que querem organizar melhor a instrução da sua classe. A Equipe Cantinho da Unidade traz para vocês a versão atualizada desses arquivos, com os requisitos das nossas novas classes. Basta clicar nas imagens abaixo para fazer o download.

Observação: Os arquivos foram feitos no Power Point, em tamanho Ofício. Então, para que a visualização seja correta, ou vocês precisam imprimir em um papel ofício ou marcar a opção “ajustar à área de impressão” ou “ajustar ao tamanho do papel”, na hora de mandar imprimir, conforme figura abaixo (clique para ampliar):

Santuário, para a classe de Guia (PI)

“E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles”. Êxodo 25:8

A compreensão da doutrina do santuário é de fundamental importância para o completo entendimento do plano da redenção. “Há um santuário no céu, o verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem. Nele Cristo ministra em nosso favor, tornando acessíveis aos crentes os benefícios de Seu sacrifício expiatório oferecido uma vez por todas na cruz”. (Nisto Cremos, p. 385).

É por esse motivo que temos na classe de Guia o seguinte requisito: “Estudar a estrutura e serviço do santuário no Antigo Testamento e relacionar com o ministério pessoal de Jesus e a cruz”.

E é exatamente pela importância e complexidade do requisito que precisamos ter um bom plano de instrução, para que o desbravador, de fato, aprenda e assimile o proposto pelo cartão da classe. Para aprender mais sobre a importância do plano de instrução no ensino das classes, clique AQUI.

Caso você tenha sugestões de atividades para nos ajudar, deixe seu comentário ou entre em contato conosco. Abaixo segue o plano de instrução. Caso prefira, clique AQUI para baixar.

  1. Objetivos
    1. Identificar cada compartimento do santuário.
    2. Identificar cada móvel, dizendo de que material era feito e como apontava para o sacrifício de Jesus.
    3. Descrever as vestes do sumo sacerdote e estudar em Hebreus 7 e 8 qual é o trabalho de Jesus, hoje, como Sumo Sacerdote.
    4. Descobrir porque quando Jesus morreu o véu do santuário se rasgou.
    5. Correlacionar a profecia das 2300 tardes e manhãs com o serviço do santuário terrestre.
  2. Materiais
    1. Bíblia.
    2. Vídeos do Youtube.
    3. Equipamento para passar os vídeos (computador, caixa de som).
    4. Capítulo 16 da Revista Princípios – o conteúdo texto deve ser estudado antes do momento da instrução. Deve ser impressa uma cópia para cada desbravador.
    5. Capítulo 17 da Revista Princípios – o conteúdo texto deve ser estudado antes do momento da instrução. Deve ser impressa uma cópia para cada desbravador.
  3. Vídeo interessante
    1. Deus tem um endereço? (Série Princípios) – vídeo de abordagem inicial ao requisito.
    2. O dia que o mundo não acabou (Série Princípios).
  4. Trabalhos
    1. Fazer uma série de cartazes ilustrando todos os cômodos e móveis do santuário, seja por meio de desenhos, colagens ou figuras. Cada cômodo/móvel deve ter em sua descrição o nome, o(s) material(is) utilizado(s) na sua construção e a sua função; ou,
    2. Montar uma maquete do santuário, representando cada cômodo e móvel.
  5. Metodologia
    1. 1º Encontro (50 minutos)
      1. Atividade introdutória: assistir ao vídeo Deus tem um endereço?.
      2. Entregar a cópia do texto aos desbravadores e pedir para fazerem o estudo dirigido do tema (última página) no momento da instrução.
      3. Pedir para lerem o conteúdo em casa, para fixar a matéria.
      4. Pedir aos desbravadores para fazerem o trabalho 1 ou 2 para trazer no último encontro.
    2. 2º Encontro (50 minutos)
      1. Atividade introdutória: realizar uma atividade diagnóstica sobre o conhecimento prévio dos desbravadores sobre o tema, por meio de algumas perguntas ao grupo. Anotar as respostas em um quadro e comparar ao final da aula.
        • Usar as perguntas do estudo dirigido, de forma a solidificar as respostas corretas.
      2. Assistir ao vídeo O dia que o mundo não acabou.
      3. Entregar a cópia do texto aos desbravadores e pedir para fazerem o estudo dirigido do tema (última página) no momento da instrução.
      4. Pedir para lerem o conteúdo em casa, para fixar a matéria.
      5. Conferir com os desbravadores o andamento do trabalho (1 ou 2) e lembrá-los que devem trazê-lo no próximo encontro.
    3. 3º Encontro (50 minutos)
      1. Atividade introdutória: realizar uma atividade diagnóstica sobre o conhecimento prévio dos desbravadores sobre o tema, por meio de algumas perguntas ao grupo. Anotar as respostas em um quadro e comparar ao final da aula.
        • Usar as perguntas do estudo dirigido, de forma a solidificar as respostas corretas.
      2. Através de um diagrama e da Bíblia, descrever as vestes sacerdotais e explicar aos desbravadores o seu significado.
      3. Receber os trabalhos.
      4. Através de estudo dirigido, verificar o aprendizado dos desbravadores.
  6. Avaliação
    1. Pedir aos desbravadores para fazerem um relatório das atividades realizadas no caderno de atividades.
    2. Apresentação do trabalho (1 ou 2)

Preparando a instrução

“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”. Eclesiastes 9:10.

Segundo o verso bíblico, podemos inferir que aqui temos uma obra a fazer!  Enquanto  estivermos aqui, então, teremos obra,  projeto, conhecimento e sabedoria. E isso é maravilhoso!

Qual é a obra que veio à sua mão para fazer? Instrução de classes e especialidades de desbravadores!

Então, vamos pensar um pouquinho: Quem é o instrutor? Qual é a sua função? Quais as suas responsabilidades? Qual a sua importância?

“Instrutores são pessoas que ensinam matérias específicas ou assuntos como Bíblia, crescimento pessoal, especialidade, trabalhos ao ar livre ou artes”. Manual Administrativo do Clube de Desbravadores.

É necessário realizar uma reflexão honesta e com base no que Deus espera de nós: “faze-o conforme as tuas forças.”  Em outras palavras: faça o melhor que puder.

E, para uma obra ser bem feita, é necessário haver um projeto, seja qual for essa obra, é necessário pensar, investir tempo, estudo, conhecimento, dedicação, amor…

Para ensinar algo a alguém devemos, além do conteúdo a compartilhar, ter um projeto, certo?

Devemos ter em mente: qual é a responsabilidade do instrutor? Será apenas ensinar algum conhecimento específico?

Nossa primeira responsabilidade é  com os nossos jovens, que devem receber nosso apoio e orientação para firmar sua fé em Jesus como seu Salvador pessoal e a usarem seu potencial para Cristo.” (Manual Administrativo do Clube de Desbravadores).

Ele deu uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, outros como pastores e mestres (ensinadores), tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos para o trabalho do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo…” Efésios 4:11-13.

O Manual Administrativo dos Desbravadores deixa muito claro que o instrutor tem responsabilidades que vão muito além de ensinar uma técnica ou um conhecimento. O compromisso do instrutor é com nosso Criador! É auxiliar seus filhos, que estão em formação, a desenvolverem seu potencial (habilidades e competências) para chegarem à medida da estatura de Cristo. Compreende a importância dessa obra para o Senhor?

E, como você ensina? Já parou para pensar se está ensinando “conforme as tuas forças”?

E como fazer o melhor, quando se trata de ensinar? Como fazer um projeto para se realizar uma instrução? É necessário planejar! Planejar,  por quê?

O plano de aula organiza as atividades do professor e do aluno, possibilitando melhores resultados e maior efetividade do ensino.

Antes de planejar, o que devo me perguntar?

  • Para quem vou ensinar? Quem é esse aluno/desbravador? Conheço quem é essa criança/adolescente? Em qual processo de desenvolvimento e transformação seu cérebro se encontra? Como ele/ela pensa, sente, aprende? Suas limitações e potencial.
  • O que pretendo alcançar? Quais são meus objetivos para esta aula específica?
  • Domino o conhecimento, as técnicas as quais vou ensinar? Estou preparado para ensinar?
  • Como alcançar esses objetivos? Qual estratégia de trabalho utilizarei para alcançar meus objetivos? Quais os métodos mais apropriados?
  • O que fazer e como fazer? Qual a melhor maneira de introduzir esta aula? Como posso transmitir o conteúdo desta lição de maneira atraente e interessante? Que tipo de aplicação seria mais eficiente nesta aula?
  • Quais os recursos que utilizarei para motivar esse desbravador à aprendizagem?
  • Em quanto tempo? Em qual prazo executarei as diversas fases dessa instrução? Quanto tempo gastarei para a introdução da aula? E no seu desenvolvimento? E na conclusão? Esse tempo será suficiente para auxiliar o desbravador a fixar este conhecimento?
  • Como concluir essa lição eficazmente a ponto de suscitar no meu aluno o desejo de retornar a classe na reunião  seguinte? Quais os procedimentos que deverei usar? De quais recursos deverei dispor? Como levar o desbravador a compreender qual a utilidade desse conhecimento para a vida dele? Em quais ocasiões poderá usar este mesmo procedimento ou conhecimento?
  • Como ele poderá generalizar e transpor, aplicando o conhecimento para novas situações?
  •  Como avaliar o que foi alcançado? Quais os instrumentos de avaliação que utilizarei? Em que período do processo de ensino deverei avaliar? No início? No meio? No final? Ou em todos?

E, então, elaborar o seu planejamento, seguindo os seguintes passos básicos: Clientela, Tema, Introdução, Objetivo , Metodologia, Duração, Recursos, Desenvolvimento, Conclusão  e  Avaliação (não só do desbravador, porém, em primeiro lugar, sua).

Tendo um bom planejamento em mãos, com flexibilidade, dispondo de um plano alternativo, em caso de surgir a necessidade de adaptar-se a imprevistos, sempre contando com a sabedoria do Senhor, tenha a certeza: sua instrução será um sucesso!!!  Seu desbravador subirá alguns degraus a mais na sua escada de habilidades e competências em direção ao céu.

“E o Senhor, certamente, dirá a seu respeito:  Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras.” Eclesiastes 9:7-8

1- Edneide

Como aprendemos? A importância de um plano de aula para as classes

Sempre que temos algo importante a realizar é comum surgirem em nossa mente pensamentos os mais diversos a respeito do tema. Imaginamos, planejamos, e nos preparamos, tendo em mente questões do tipo: O quê? Como? Onde? Quando? Para quem?…

Se planejarmos uma festa de aniversário, de casamento, a construção de uma casa ou até mesmo algo simples como comprar um presente para alguém especial, estas perguntas serão o eixo do nosso pensamento. E de como utilizamos estas respostas dependerá o sucesso ou o fracasso daquilo que planejarmos.

Quando assumimos funções como instrutores, professores, coordenadores, conselheiros, essas questões deveriam permanecer em nossas mentes por todo o período em que tivermos algo a ensinar. Se o desejo de fazer o melhor é o nosso direcionador, então as perguntas estarão presentes especialmente antes de iniciarmos o nosso trabalho, não é mesmo?

O objetivo do trabalho de um bom instrutor é que, ao final de sua instrução, todos saiam sabendo e praticando o que gostaria que aprendessem.

Já sabemos que o planejamento é essencial para que o conteúdo a ser transmitido siga o caminho desejado e que seu resultado seja um sucesso, pois o plano de ensino é um organizador das atividades do instrutor e do desbravador, possibilitando melhores resultados e maior efetividade do ensino.

Porém, algumas “perguntas desanimadoras” surgem em nossas mentes, quando planejamos e caprichamos em nosso planejamento e o resultado não é aquele que desejamos: O que aconteceu? Onde eu errei? Será que esses desbravadores têm algum problema? …

Então, buscando contemplar estas questões, faremos algumas reflexões, de forma bastante simplificada, sobre alguns aspectos de igual modo, simples, porém, bastante significativos para o sucesso de qualquer instrução: como nosso cérebro aprende?

A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, envolvendo aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da transferência destes para novas situações.

Durante o processo de aprendizagem, nós usamos, basicamente, duas partes da memória.

A primeira delas é a memória de longo prazo, que é aquela em que ficam registrados todos os conhecimentos que nós já temos e as coisas que já sabemos.

A segunda é a memória de trabalho, que é aquela na qual raciocinamos e aprendemos. Esta é bem menor, se comparada à memória de longo prazo.

Todos nós estamos inseridos em um ambiente externo, que nos provê estímulos, através dos nossos sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato). Estes estímulos vão cair na memória de trabalho, em forma de informações novas. Essas informações novas funcionam como uma espécie de ímã, que atrairá informações correlatas, que se encontram na memória de longo prazo. Assim, juntando as informações novas às armazenadas, previamente, são formadas novas ligações entre elas.

À medida que são formadas novas conexões, estas são armazenadas na memória de longo prazo e vão se tornando cada vez mais fortes à medida que haja repetições. Estas conexões tornam-se fortalecidas ao ponto de se tornarem fixas na memória de longo prazo e, então, a nova informação transforma-se em conhecimento adquirido.

Sendo assim, percebemos a importância de alguns elementos essenciais à aprendizagem significativa:

  1. Estímulos externos (professor, contato com o meio ambiente, uma comida nova, livros, um filme etc.). Quanto mais canais de entrada, através dos cinco sentidos, mais fácil o acesso à memória de longo prazo. Quando a informação é transmitida por canais multi-sensoriais, asseguramos ao aluno maior oportunidade de entrada dessa informação. Se a informação se realizar por um canal visual e a pessoa tem dificuldades na percepção visual, por exemplo, limitamos suas possibilidades de aprendizagem. Porém, se for apresentado a esta pessoa a informação por mais um canal auditivo, como uma música, provavelmente, o benefício será maior e se for oferecido, ainda, uma outra experiência tátil, certamente as conexões formadas serão mais significativas;
  2. Limitação na capacidade de aprender (memória de trabalho). É impossível aprender de uma só vez grandes volumes de informações, então, o melhor é que o conhecimento seja fracionado. Ao planejar sua instrução, considere a necessidade de prever tantos encontros quanto sejam necessários para assegurar que não haja uma sobrecarga de informações em uma única oportunidade, pois a memória de trabalho não conseguirá tratar o conteúdo de maneira dedicada e você, provavelmente, não atingirá o objetivo de uma aprendizagem efetiva;
  3. Repetição do processo de fazer conexão entre o conhecimento que já se encontra na memória de longo prazo e a nova informação para que o novo conhecimento seja fortalecido.
  4. É importante, ainda, ressaltar o tempo do desbravador para a aprendizagem. O instrutor deve ter em mente que cada pessoa aprende de acordo com um tempo próprio de aprendizagem. Porém, é igualmente importante compreender que o tempo adequado de exposição ao conteúdo permitirá novas oportunidades a essa pessoa que aprende, para que possa realizar as conexões que serão fixadas como conhecimento na memória de longo prazo.
  5. Atenção. É a nossa grande porta de entrada do aprendizado. É comum ouvirmos pessoas afirmarem que conseguem manter a atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Porém, o que ocorre é uma rápida alternância do foco de atenção. É impossível ao cérebro, segundo a neurociência, manter a atenção em dois focos ao mesmo tempo. A atenção funciona como um filtro, que decide qual a informação que deverá ser processada de maneira especial e, apenas uma informação sobrevive a esse filtro e ganha acesso à memória de trabalho, que, como já vimos, é bastante limitada e só funciona com aquilo que está no foco da sua atenção. Portanto, se ela não tem uma única informação, essas informações não permanecem na memória de trabalho.

Então, sempre que o instrutor oferece recursos que favoreçam o despertar da atenção do desbravador, estará assegurando maior possibilidade de aprendizagem a ele.

Há ainda outros fatores que exercem influência positiva para o aprendizado. Neste momento, destacaremos apenas três deles:

  1. Prática: é a oportunidade de se consolidar um conhecimento. “Ninguém pode se tornar um bom pianista sem nunca ter tocado um dedo em um piano”.
  2. Motivação: é o querer aprender. É ela quem determina o empenho à prática. É o processo que mobiliza o organismo para a ação. Uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração, nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades. Ao sentir-se motivado, o indivíduo tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto. Motivar passa a ser, também, um trabalho de atrair, encantar, prender a atenção, seduzir o desbravador, utilizando o que o juvenil/adolescente gosta de fazer como forma de engajá-la no ensino.
  3. Método: é importante lembrar que cada pessoa apresenta preferência por determinada forma de aprender. Há pessoas que realizam cálculo mental, por exemplo, de forma mais eficiente que cálculo escrito. Para que o instrutor seja apto a ensinar com qualidade deve conhecer os mais variados métodos de ensino, suprindo, assim, a necessidade daquele que aprende. Há métodos individualizados e socializados. Técnicas como o estudo dirigido, o trabalho em grupo, aula expositiva, demonstrativa, estudo de caso, saída de campo, etc. Qualquer método ou técnica só terá êxito nas mãos de quem os realiza com entusiasmo e espontaneidade.

É necessário que, ao planejarmos uma instrução, esses fatores sejam os principais direcionadores do processo de ensino e aprendizagem, então as “perguntas desanimadoras” terão pouca chance de aparecerem novamente.

Com esse novo conhecimento em mãos, nossa seção Classes agora está em um novo formato. Colocaremos aqui não apenas ideias e materiais para se cumprir os requisitos, mas disponibilizaremos um plano de instrução, de forma que o requisito seja bem trabalhado e os desbravadores possam, de fato, assimilar o conteúdo. Acreditamos que esse formato pode, realmente, fazer diferença na vida futura do desbravador.

Inclusive, nosso primeiro post nesse formato foi publicado ainda no ano passado, confiram AQUI. E se liguem, pois temos muito mais novidades por aí!

1- Edneide

Como as classes dos desbravadores auxiliam na salvação?

O slogan do Ministério Jovem como um todo é Salvação e Serviço. O Serviço, nós líderes sabemos bem como é rs, mas como o Clube age para a Salvação dos garotos?

Todas as atividades do Clube têm um propósito específico na Salvação das crianças e adolescentes, todas, inclusive os nós e os sinais de pista! Se só a parte espiritual fosse importante e só ela fosse suficiente, não seria necessário haver Clube, só a Escola Sabatina e a Classe Bíblica atenderiam à necessidade dos garotos e garotas.

Mas não é isso que acontece, o que ocorre muitas vezes é que no período de maiores transformações na vida de uma pessoa, a adolescência, as bases não são fortes o bastante e a fé acaba desmoronando. O resultado é o abandono dos valores até então defendidos, o que leva, ás vezes, até a comportamentos auto-destrutivos como o envolvimento com álcool, drogas e criminalidade.

A adolescência é um período tão complexo, mas tão complexo, que demanda os mais intensos estudos científicos. Hoje os neurocientistas são capazes de nos explicar muitos fenômenos que até a década passada eram desconhecidos. Atualmente já se sabe que na adolescência o cérebro ainda não está pronto, ele já tem o tamanho do cérebro adulto, mas ainda não está completamente desenvolvido. Vários dos mecanismos presentes nos adultos os adolescentes ainda não possuem, por isso a grande instabilidade que marca esse período.

Alguns dos pontos mais sensíveis são:

  • Tédio;
  • Falta de coordenação motora;
  • Descoberta do interesse pelo sexo oposto;
  • Ausência da capacidade de sentir empatia;
  • Incapacidade para antecipar problemas.

Para auxiliar em cada uma dessas dificuldades há uma atividade específica do Clube. Ajudar a formar seres humanos equilibrados é a principal meta dos Desbravadores, por isso nosso símbolo é um triângulo, pois o desenvolvimento físico, mental e espiritual é feito de forma integrada. Então vejamos como isso acontece.

Tédio – Um desequilíbrio no sistema de recompensa faz com que o adolescente comece a perder o prazer em realizar as atividades que ele gostava. Por exemplo, a menina deixa de gostar da boneca e começa a se interessar por maquiagem. Eles não querem fazer mais nada que seja “coisa de criança”. Mas além disso, esse desequilíbrio torna tudo aparentemente chato e sem graça. Nesse momento costuma aparecer o gosto por emoções fortes e pelo risco.  Aí é que entra as trilhas, os ralas, as caminhadas noturnas, as falsas baianas, as subidas em montanhas e as especialidades recreativas. Essas atividades oferecem risco calculado e emoções capazes de vencer a apatia dos adolescentes. É uma maneira saudável de obter prazer. Do contrario o prazer pode ser buscado em sexo e drogas ou outras atividades onde o risco não é controlado.

Falta de coordenação motora – O corpo cresce de maneira assombrosa, alguns crescem até meio metro em 2 anos (meu irmão foi um desses), o cérebro demora um pouco a reconhecer onde estão as extremidades do corpo e por isso o adolescente fica um pouco, ou muito, desastrado. Nesse momento a ordem unida, os nós e as amarras são um grande auxílio. Para realizar os movimentos necessários o cérebro precisa esforçar-se no processo de adaptação ao novo tamanho corporal e assim essa fase passa mais rápido.

Descoberta do interesse pelo sexo oposto – Alterações no hipotálamo, região do cérebro que controla as reações hormonais, desencadeiam o interesse pelo sexo oposto. Apesar de na puberdade o corpo já estar fisiologicamente preparado para uma relação sexual, o cérebro ainda não é capaz de lidar com a carga emocional de um envolvimento sexual. Nessa faixa etária, o programa do Clube traz discussões sobre pressão de grupo, relacionamento familiar, autoestima, aborto, DSTs e o plano do Deus para o sexo, tudo isso para que o adolescente compreenda a responsabilidade necessária para se ter uma sexualidade saudável. O Clube também proporciona atividades supervisionadas em que os adolescentes de ambos os sexos podem interagir e criar laços de amizade, desenvolvendo assim o respeito pelo sexo oposto.

Ausência da capacidade de sentir empatia – A capacidade de compreender os sentimentos do outro e mesmo de se colocar no lugar do outro só aparece no fim da adolescência. Até então ele não se preocupa com brincadeiras e palavras maldosas, pois não consegue entender a dor que outro irá sentir. Para auxiliar o desenvolvimento dessa habilidade, as seções Desenvolvendo Amizade e Servindo a Outros trazem atividades para estimular o sentimento de empatia e solidariedade.

Incapacidade para antecipar problemas – Há uma razão para a maioridade penal ser aos 18 anos, a neurociência aponta que apenas aos 18 ou 19 anos é que o jovem terá a plena capacidade de raciocinar e prever todas as consequências de seus atos. É por isso que nessa idade os adolescentes fazem coisas “sem noção” e não se preocupam com sua própria segurança. Por exemplo, para eles o único motivo de os pais os obrigarem a voltarem cedo para casa é que os “velhos” não querem que ele se divirta, não conseguem ver que é uma tentativa de pô-los a salvo da violência das ruas. Por isso o Clube ensina o valor da obediência e do respeito à hierarquia. É também uma forma de auxiliá-los a tomar decisões sábias. A classe de Líder é especialmente importante nessa fase, pois irá ajudá-los a compreender o tamanho da responsabilidade que a vida adulta trará para eles.

Esses são apenas alguns pontos. Ao analisarmos apenas esses 5 pontos já é possível ver a importância do Clube de Desbravadores na vida desses indivíduos que estão a caminho da idade adulta. Quanto maior o tempo em que o adolescente estiver em contato com essas atividades, mais benefícios elas trarão.

É muito importante preocupar-se com o ensino de cada requisito e cada atividade, pois cada uma deles foi pensado com vistas a suprir uma necessidade específica da criança/adolescente. A exclusão de uma ou outra poderá prejudicar o desenvolvimento deles e nós sabemos a quem teremos de prestar contas no final.

Que todo o nosso planejamento esse ano possa ser realizado levando em consideração esses fatos, que nada seja burlado ou deixado de  lado para que não venha a fazer falta no futuro. Que os responsáveis por cada instrução estejam cientes da importância de seu trabalho. Assim certamente conseguiremos alcançar o objetivo de salvar do pecado e guiar no serviço.

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